sexta-feira, 26 de abril de 2013

DESPEDIDA DE CATEMU, MARCHA EM PROL DA ÁGUA E CHEGADA À CHILLÁN

DESPEDIDA DE CATEMU, MARCHA EM PROL DA ÁGUA E CHEGADA À CHILLÁN

Estações bem marcadas é isso os Chilenos nos dizem de seu país, e pudemos presenciar um outono digno de desenho animado, folhas caindo das árvores todos os dias, muita folha, um clima seco e árido, sol forte, noites frias e manhãs geladas, impossível sair da cama... Viver esse mês em Catemu nos fez vivenciar rotinas muito distintas, em um cenário nada comum para nós.


 Acordávamos às 08hs horário que o sol nascia, dormíamos as 23hs, com muitos cobertores, café da manhã às 09hs, almoço às 14h30min, as vezes às 15h30min, jantar às 20hs, demorou um tempo para acostumarmos com esses horários tão distintos, mas sempre havia uma fruta para colher na finca quando a fome batia, ora figos, ora maças verde, ou nozes... a alimentação é muito saudável, pela manhã, pão integral, aveia com castanhas, frutas, leite e chá. Almoço: Arroz integral, verduras e legumes abundantes, algumas vezes feijão, outras lentilha, tortas, sopas, tudo muito gostoso. Jantar: Algumas vezes sopa, outras como um lanche com pão integral, bolo, geléias... Vontade comer algo??? Claro, um pão de queijo quentinho que só minha mãe sabe fazer... como no Chile não há polvilho, vou ter que esperar ainda um bom tempo, Ricardo ainda não teve nenhum desejo rs.
As caminhadas e os passeios de fim de tarde, eram cercados de uma paisagem nada convencional para nós, ruas cercadas de árvores gigantes, casas pequenas, aconchegantes, feitas em madeira... As grandes montanhas da Cordilheira nos acompanhava em qualquer que fosse nosso destino, e o terreno sempre plano, como se fosse um grande tabuleiro rodeado por montanhas. Os animais estavam por todo lado, cavalos, cabras, cachorros (muitos cães) e algumas ovelhas. 









Pico Aconcágua visto da Finca



Os amigos que deixamos, esses irão fazer muita falta nessa nova etapa, foi difícil associar a idéia de sair da Ekachakra, faltavam alguns dias e já estávamos tristes, já estávamos acostumados com o lugar, as rotinas, as aulas de yoga, as conversas... no início, ninguém nos entendia, pudera, não falávamos 1 só palavra em espanhol, agora conseguimos dizer algumas e enrolamos muito bem no “Portunhol” conseguimos até contar algumas piadas, e eu já consigo entender uma criança chorando e falando em espanhol rs...







O aprendizado, esse sim foi a recompensa que levaremos adiante, Ricardo arrasou em tudo que fez, mandou muito bem na Horta orgânica, que estava horrível quando chegamos aqui, agora está super linda, limpa e organizada,






 ele também aprendeu sobre construção em barro, pequenos concertos, mosaico e até alguma coisa de cozinha... eu me desenvolvi bastante no violão, consegui cifrar minha primeira música, e como fiquei bastante na cozinha, aprendi várias receitas vegetarianas deliciosas, alfajores, empanadas, pão de chunho... enfim, muitas coisas gostosas. Aprendemos também sobre a vida em coletividade, vivenciamos uma comunidade onde o famoso lema dos três mosqueteiros se aplica muito bem: “Um por todos e todos por um” e essa riqueza levaremos conosco no entardecer dos nossos anos...
Saudades???
Sim, muitas, da família, meus pais, irmãos, sobrinhas tios, amigos, da comida, de nossa casa, do trabalho... gosto muito de minha profissão, o propósito principal desta viagem é adquirir conhecimentos para uma nova vida, mas não quero nunca abandonar a enfermagem, se existe alguma coisa que gosto de fazer e faço bem é o meu trabalho, cozinhar também rs... 
            Os últimos dias na finca foram tristes, nossos amigos falavam para ficarmos mais tempo, nosso coração também estava se quebrando por deixar os laços que criamos neste local tão harmonioso, onde vivem pessoas tão nobres... No domingo tivemos o dia livre, sacamos as últimas fotografias, conversamos com amigos, lavamos toda nossa roupa e deixamos tudo pronto. Na segunda feira sairíamos às 6 da manhã rumo a Santiago, onde participaríamos da Marcha em prol da água do Chile, nesta marcha iríamos encontrar os devotos e nos despedir.
Depois tomaríamos um ônibus à meia noite e meia para Chillán, uma cidade ao sul do Chile, que fica na Região das Araucárias, Patagônia norte. Ficaremos hospedados 3 semanas mais precisamente em nevados de Chillán, a 1 hora da cidade, em um hotel na montanha, chamado Alquimia Sur, este local tem muita neve no inverno e ao redor muitos centros de eski.

         





No domingo à noite durante o jantar, último dia na finca, Prema nos levou um livro de visitantes e nos pediu para deixarmos uma mensagem:
Carta de Eliza à ekachakra
Estar na ekachakra foi o primeiro passo de uma linda jornada que inicio em minha vida, uma jornada à caminho do "Amor Supremo", do desapego e da desentoxicação de uma sociedade capitalista.
Estar aqui esses dias, fez com que tivesse a certeza que escolhi o caminho certo. Por ser o primeiro local que estive nesta viagem que irá durar 1 ano, passei por algumas dificuldades e muitas vezes quis partir, mas a energia de um lugar sagrado foi mais forte que o orgulho de uma mulher que quer encontrar o verdadeiro significado da vida. Os dias foram se tornando mais leves, bons e lindos. Adorei o tempo que passei aqui, obrigado à todos pelos ensinamentos, carinho e paciência, espero um dia voltar mais segura de meus sentimentos e uma pessoa melhor do que sou hoje.
Carta de Ricardo à ekachakra (um lindo poema do meu escritor predileto)
À toda ekachakra veio por meio desta lhes dizer:
Aprendi à preparar a terra
Aprendi à plantar flores
Aprendi à me alimentar melhor, comendo vegetais que abominava
Aprendi à tomar banho frio
Aprendi à cavar a horta
Aprendi à natureza dos animais
Aprendi à trabalhar o barro
Aprendi à respirar
Aprendi à me alongar
Mas acima de tudo aprendi a compartilhar, obrigado à todos que me fizeram crescer, saibam que levo uma semente de vocês em meu coração, vibrações positivas. Haribol
Depois que escrevemos, foi para o quarto dormir e Ricardo me chamou porque Leandro, um grande amigo que fizemos aqui e vive em Mendonça – Argentina, havia feito um poema para nós, ele leu, e uma lágrima brotou de meu rosto, foi o maior presente que recebi nos últimos tempos, fiquei muito alegre e pude crer que a felicidade está nas pequenas coisas da vida, muito obrigada Leandro!!! Amamos te conhecer;
Poema
Em La finca de los encouentros, donde em mi mente quedará, La presencia de dos personas que jamás He de olvidar, ellas son muy divertidas y trasmiten La bondad, juegan com los corazones Del que quiere su amistad. Esta vale mas que el oro, mas que el viento, mas que el mar... Le agradezco su compañia, su alegria y su humildad, valorsble porque ES pura, Bells, grande y de verdad, van sembrando La semilla que se llama felicidade.
Com mucho sriño: Leandro 21/04/13




Na segunda feira dia 22 de abril, 0 celular tocou às 04h35min, coloquei no soneca e logo despertei para o banho, nos arrumamos rápido, e às 05h15min já estávamos prontos. Fiz um café para nós e como Prema não aparecia fui chamá-la às 05h45min, saímos em cima da hora 06h05min e logo que chegamos saímos. A viagem foi tranqüila, estava frio mas nos agasalhamos bem, chegamos à Santiago e quase fico no ônibus, pois fui ao banheiro e ele saiu andando enquanto ainda estava lá. Deixamos tudo no guarda volumes e fomos comprar nosso café da manhã, logo Gabriel e Davi chegaram , pegamos o metrô para o templo Hari Krishna, voltamos à estação central e pegamos um taxi e só então chegamos ao local onde estavam os devotos reunidos (como diz Davi, a organização Hare Krishna não é nada organizada).
Haviam vários pontos de onde sairiam a marcha espalhados pelo centro de Santiago, e todos iriam se encontrar na Plaza La Moneda às 12hs. Nesta marcha mais de uma centena de organizações ambientalistas, comunidades sociais e indígenas do norte, centro e sul do Chile, em Santiago convergem em um grande comício para sensibilizar o público sobre a situação de emergência enfrentada pelos diferentes setores do país pela crise da água. Uma chamada para o público a participar neste 22 de abril para março de Carnaval "para a recuperação e proteção da água" , realizou mais de 100 representantes de organizações ambientalistas, comunidades sociais e indígenas no norte, centro e sul do Chile, com A fim de sensibilizar o público nacional e internacional sobre a grave situação que enfrentam diferentes territórios por causa da crise da água.
O Código de 1981 Água transformou os recursos hídricos de propriedade privada, dando ao Estado a autoridade para conceder direitos de uso da água para a perpetuidade livre e privado, e permitiu que esses direitos poderiam ser comprados, vendidos ou arrendados, sem levar em usar prioridades consideração.
Ricardo estava muito feliz, tirou muitas fotografias, pulou muito, fiquei muito feliz por ele, gostei bastante também, porém fui fulminada por uma dor de cabeça que atrapalhou meu desempenho durante o percurso, e me deixou de mal humor...









Depois que chegamos na Plaza, ficamos um tempo e logo nos despedimos de todos, comemos um hambúrguer de soja e seguimos à Quilicura, tomamos um metrô e 2 ônibus para chegar lá: Metrô Vespúcio Norte, tomar bus B-13; B-16 ou B:18, tomamos o B-13, mas ele não nos levou direto, descemos em um ponto e tomamos o B-12 que nos deixou próximo. O Motorista do primeiro ônibus que tomamos era muito engraçado, percebeu que éramos brasileiros e puxou o maior papo, falamos de futebol e ele até tirou um sarro no nosso time: _ Torcem para o São Paulo??? Ele foi desclassificado da Libertadores não????  e deu alguns risos irônicos, respondemos de pronto: Nãoooooo
Quilicura é como uma cidade da grande Santiago, o trecho possui vários Outlet, ou seja, conjuntos de lojas, cada prédio com um tipo de equipamentos, fomos ao Outlet Quilicura  que vendia roupas, havia muita variedade, porém somente roupas de marca: Levis, Lacoste, Adidas etc. bons preços, mas ainda altos para meu bolso... às jaquetas para frio variavam de 60 à 250 mil pesos chilenos 260 à 1100 reais, encontrei uma muito boa, por 30 mil pesos ( +ou- 140 reais), mas foi a única, Ricardo não quis comprar, disse que já estava bastante prevenido para o frio.... Pegamos um ônibus de volta ao Terminal Vespúcio Norte, dessa vez direto, o B-05, estava muito lotado e já estávamos exaustos... Chegamos à estação Central às 18h30min e compramos mais alguns equipamentos de frio, como segunda pele e cachecol, comemos um pizza deliciosa e fomos ao Shopping para descansar um pouco na praça de alimentação. Aproveitei e mandei um email para Chillán, pois mudamos a data de chegada e não avisamos nada há eles. Fomos à rodoviária às 22hs e já estava morta de cansada, ficamos na internet até as 23h30min e responderam do hotel dizendo que só estariam na cabana à tarde e deixaram um número de telefone, logo depois retiramos nossa bagagem para esperar o ônibus... Neste dia meus sentimentos foram uma mescla de mau humor, felicidade, insegurança e muuuuito cansaço!!!

Às 05h30min em ponto do dia 23 de abril, chegamos em Chillán, estava muito frio eu estava muito cansada, não havia dormido nada no ônibus porque um cavalheiro à minha frente e um atrás, roncavam o bastante para não permitir meu sono.




Descemos nossas malas e Ricardo foi ao banheiro, deitei 30 minutos em cima da mochila e cochilei um pouco, mas naquela posição era impossível dormir. A programação era esperar que o dia se clareasse mais e ligar para o telefone que deixaram em meu email, mas não havia telefone público na Rodoviária e a Lan House que também faz ligações telefônicas só abriu as 10h30min, eu já estava aflita e havia andado de um lado para o outro muitas vezes, liguei para o número 4 vezes e nada, às 11hs enviei um email dizendo se poderíamos esperar no hotel, aguardei resposta até às 12hs e nada, meu coração já estava saltitando e fui ao banheiro 6 vezes, um tremendo prejuízo porque no Chile os banheiros são pagos, como 1.50 cada vez hehehehehe.
Ricardo estava tranquilo e insistiu comigo para esperarmos até que ele atendesse o telefone, mas eu, claro desesperada não pude esperar. Resolvemos tomar um táxi até a estação de ônibus rural, porque já estava sem paciência para pegar ônibus, resolvemos nos dar este presente... chegamos na estação, tomamos o ônibus para Las Trancas e logo partimos para Cruce de Sangri-lá, viemos super contentes porque já estávamos à caminho e tudo daria certo, cochilei durante o trajeto que duraria 1 hora e meia, e Ricardo ficou apreciando a paisagem que se tornava cada vez mais bela. Muito distinta de Catemu, possui muitas montanhas, mas são cobertas de árvores muito altas e farta vegetação, cânions também se encontrava no caminho e alguns picos nevados. A vegetação estava um pouco seca, porque ainda não começou a estação de chuvas.

Conforme combinado, na Cruce de Sangri-lá, o motorista parou o ônibus e nos indicou o caminho, fiquei desesperada porque não via o hotel e não havia placas do mesmo, deixamos a bagagem no chão e fui atrás de pessoas para pegar informações, encontramos um casal que descia a estrada e nos informou que era só seguir sempre reto a 3 km, quase morri quando ele nos falou isso, estávamos com mais ou menos 23 kg de bagagem cada um, respiramos e seguimos a subida,



parávamos a cada 500 metros e pedíamos força à Deus para continuar, a paisagem era fantásticas, arvores muito lindas, uma bela e alta montanha nevada ao fundo, e durante o percurso encontramos uma fonte que brotava do chão, claro que tomamos uma agüinha e enchemos o cantil, reunimos mais forças e finalmente chegamos em Alquimia Sur que estava fechado e sem ninguém, 




bom, já sabíamos que iriam chegar à tarde, mas depois de 3 horas de espera o frio começou a apertar e comecei a ficar desesperada... o que vamos fazer se não aparecerem, pedir para dormir em alguma das cabanas que encontramos no caminho???? O frio aqui é menor que 0° durante a madrugada... será que se armássemos uma barraca iríamos conseguir suportar o frio??? E onde armar a barraca, o terreno era todo cheio de pedras e íngreme... às 17h15min o sol se escondeu atrás da montanha, e um frio surgiu como num passe de mágica, tirei algumas roupas de minha mochila e me agasalhei bastante, e o frio de minha barriga era tão forte que congelava minhas entranhas, Ricardo sugeriu que esperássemos até as 19hs e se ninguém aparecesse procuraríamos um local para acampar, às 18hs resolvi ir a procura de alguém que pudesse me emprestar um telefone para tentar ligar novamente e falar com o responsável pelo hotel, e eu nem sabia o nome dele, pois em seus emails ele não assinava. Ricardo ficou com o equipamento e desci, logo abaixo encontrei uma cabana, entrei e gritei Olá, e ninguém me respondia, escutava um barulho e entrei, percebi então que estava sendo construída e não havia ninguém, o barulho que ouvia era de um cano de água, contornei a casa à procura de uma porta ou janela aberta, então encontrei uma grande porta de vidro, dessas de correr e tentei abrir, estava destrancada, entrei na casa e havia dois sofás velhos... Voltei e chamei Ricardo, disse que nossos problemas já haviam sido resolvidos, tinha encontrado um lugar para dormir, ele ficou receoso, mas concordou em fazê-lo e sair bem cedo para não corrermos o risco de sermos pegos.






Mesmo estando mais tranqüila resolvi continuar a procurar por um telefone, porque Ricardo não queria que dormíssemos naquela cabana, andei um bocado e não encontrei ninguém, só então percebi o quão longo foi o nosso caminho até aqui... depois de caminhar cerca de 1 km e meio e gritar em todas as cabanas que encontrava (e eram muitas), decidi voltar, comecei a subir a estrada e mesmo sem peso o caminho era puxado, fiquei orgulhosa do casal mochileiro, caminhamos 3 km de subida com uma carga muiiiito pesada.
Depois de 15 minutos, ouvi algumas vozes e encontrei um grupo de senhoras de 3° idade caminhando em uma propriedade ao lado, não hesitei, pulei a cerca e falei: _Por Favor, preciso de uma ajuda, expliquei a elas e pedi um telefone, uma delas me emprestou e liguei para o número que havia recebido por email, rezando para que dessa vez tivesse sucesso... e obtive, um homem atendeu o telefone e enrolei um portunhol básico, ele me perguntou onde eu estava, disse que em sua cabana, e ele me falou que chegava em 1 hora, a felicidade foi tão grande que nem agradeci direito as senhoras, voltei correndo para contar para Ricardo, que já estava descendo a estrada à minha procura... Ficamos esperando  em um frio de congelar o ar que respirávamos, mas meu pensamento só dizia, este lugar valeu todo o sacrifício, é simplesmente fantástico...
 Ficamos abraçados e enrolados no saco de dormir. Em um momento, passou um carro que estava indo em direção à cidade, um casal, um americano e uma chilena que vive em Concepcion,  pararam para perguntar se estava tudo bem, ficaram preocupados conosco porque nos viram subir com as mochilas e ainda estávamos ali, o americano perguntou se estávamos bem e nos ofereceu algo para comer, um cereal, respondi na maior cara dura: Bueno, Ricardo disse que fui muito cara de pau rsrsrs. 
Logo chegou uma camionete e ficamos muito felizes, entramos e conhecemos a cabana principal tomando um delicioso chá. Siam trabalha com várias terapias naturais, constelações familiares (um tipo de terapia que pesquisa gerações familiares), musica para relaxamento, e muitas outras.  Ficamos conversando por bastante tempo, falamos de natureza, sustentabilidade, capitalismo, vegetarianismo, alimentação viva, saúde, enfim, um “papo cabeça”. Foi muito bom conversar com pessoas que partilham as mesmas idéias que as nossas, fiquei muito feliz e minha expectativa em relação à nossa estadia é das melhores...Estava também Mariana, uma mexicana que trabalha com ele há algum tempo, pois Siam realiza palestras, seminários e muitos cursos no México.  Depois da conversa ele nos levou ao local que vamos ficar, localizado em baixo da casa, o local de hospedagem é como uma mine casa, tem dois quartos pequenos, um banheiro e uma mine cozinha, só havia um problema, os quartos possuíam uma só cama de solteiro e não havia como transferir uma cama para outro quarto, como uma delas é bem maior que uma cama de solteiro comum decidimos dormir nela. Organizamos nossas coisas e tomamos um belo e quente banho, logo estávamos grudados em baixo dos cobertores e dormindo...














Siam vai fazer uma viagem domingo dia 28 e voltará somente em 10 dias, e como usamos internet pelo bluetooth de seu celular, vamos ficar desconectados somente eu e Ricardo sozinhos em uma cabana nas montanhas... que ruim...


domingo, 14 de abril de 2013

CATEMU (CORDILHEIRA DOS ANDES) E PARQUE NACIONAL LA CAMPAÑA


CATEMU (CORDILHEIRA DOS ANDES) E PARQUE NACIONAL LA CAMPANA.

Catemu é uma pequena cidade no meio da Cordilheira do Andes, localizada na região central do Chile. Estamos hospedados na Eka Chackra, uma fazenda Hare Krishna que recebe voluntários do mundo todo, em troca de uma taxa de 10 dólares por dia e mais 4 horas de trabalho voluntário. Esse trabalho geralmente é feito em horta orgânica, cozinha e artesanato, mas na realidade não é bem assim que funciona. As noites em Catemu são frias, temperaturas que variam de 8°C à 15°C e os dias demoram a nascer (por volta de 7hs) no qual começam muito frios, todavia a partir das 11hs, o sol reina forte e o calor pode chegar à 28 graus. A vegetação aqui é escassa, porem muito bonita e por onde se anda, esta ela: a bela e única Cordilheira dos Andes. O clima é muito seco, chove somente no inverno, entre os meses de junho e julho. Fiquei impressionada com as frutas que têm aqui, por onde se anda, têm Parreiras, Macieiras, Pé de Nozes, Figos maduros, enfim uma maravilha...










Chegamos a Catemu por volta das 19hs do dia 14 de março, quinta-feira, a expectativa era grande para nossa primeira estadia, nossos equipamentos estavam mais pesados já que foram adicionados os sacos de dormir. Pegamos um taxi em uma praça onde para o ônibus, havia um italiano que estava indo também e dividimos a corrida. A chegada na fazenda não foi das melhores, não havia ninguém para nos receber, uma mulher, nos atendeu e indicou a área de camping, disse que devido às preparações do festival que aconteceria no final de semana, todos os moradores estavam ocupados, somente nos disse onde ficava o banheiro e para ficarmos à vontade...

Atravessamos uma distância de 300m da portaria até a área do camping vislumbrando a cordilheira dos Andes à nossa frente, uma sensação de alegria encheu meu peito, uma imensa felicidade por estar aqui, longe da civilização capitalista e consumista que preenchia nossas vidas, um sentimento de liberdade correu em meu peito, junto a ele veio também a duvida, a insegurança, o “MEDO” do desconhecido, do novo e da mudança... Este misto de felicidade e insegurança me fez momentaneamente repensar nossa escolha:
_ Fizemos a coisa certa em deixar nossa “estabilidade” em busca de um novo conceito de vida??
          
  Montamos nossa barraca e descobrimos que ela era muito pequena para nosso equipamento, como ela havia sido presente de minha irmã, não conhecíamos a estrutura, tivemos que deixar nossas cargueiras do lado de fora para dormirmos junto das mochilas de ataque e o violão, sorte eu ter trazido dois sacos de lixo de 100 litros, pois foi a proteção contra a umidade da noite. Tomamos banho frio, e esperamos escurecer, o que acontece cerca de 20h30min, deitamos um pouco para  descansar e quando saímos para o banheiro estava muito frio, nos assustamos, pois dentro da barraca estava bom, retornarmos e logo adormecemos...
No segundo dia estávamos decididos comprar uma nova barraca, segui para Santiago e Ricardo ficou na fazenda, voltei a mesma loja e comprei uma Barraca 4 estações da Ferrino, um pouco cara, cerca de 700 reais Brasil, mas creio que valeu a pena, pois ainda temos uma estrada a seguir e iremos enfrentar diferentes tipos de clima.

Os próximos 4 dias ocorreram um grande festival na Ecachakra, vieram pessoas de toda América prestigiar o aniversário de Gurudeva Atulananda, um dos gurus responsáveis pela missão Vrinda, eram muitas pessoas, como no forró da lua cheia em Altinópolis, a fazenda estava repleta de barracas e pequenos grupos de pessoas sentadas na grama conversando e cantando, muito bonito de ser ver, mas um pouco sofrido para nós, pois os banheiros eram pequenos e estavam sempre cheios e muito sujos. As refeições eram servidas muito tarde, quase sempre comprávamos algo na lanchonete (que só funciona durante festivais), café da manhã era servido entre 11h30min e 12hs, almoço entre 16hs e 17hs e jantar após as 22hs. A refeição eram muito farta e gostosa, mas quase sempre já havíamos comido um “Completo” vegetariano ou uma “Hamburguesa”, adoramos o Completo, é como nosso Cachorro quente: pão integral, salsicha de soja (simplesmente deliciosa), tomate, catchup, mostarda e abacate, sim, um creme de abacate, em todos os países sul Americanos, com exceção do Brasil, comem o abacate ou “Palta” como chamam aqui, com pão, como uma manteiga, ou usam temperado com alho, cebola e tomate para o lanche da tarde, é muito “Rico”. 





       Durante o festival ficamos um pouco perdidos, deslocados, só fizemos trabalho voluntário porque fomos nos oferecer para fazê-lo, pois como havia muita gente, estavam todos ocupados com os preparativos do festival, somente na segunda feira conhecemos Maharaj Thirta, responsável pela fazenda.





Terminado o festival, as pessoas que restaram eram poucas, começamos a nos enturmar e fazer amigos, estão conosco mais ou menos 15 pessoas que residem aqui, e 3 devotos de outro países, Argentina, México e Peru, na quarta-feira à tarde, mudamos para a cabana, parecia um sonho, um lindo espaço de madeira, somente para nós, mas o melhor foi quando Ricardo abriu uma portinha escondida entre a decoração e descobrimos um banheiro (limpo) só para nós...  sentíamos como reis, pois todos esses dias usamos um banheiro que é melhor não descrevermos aqui, iria assustar nossos leitores



O trabalho voluntário foi oficialmente apresentado à nós, horário das 10 às 14hs todos os dias, Davi, um Holandês que está há 6 meses, viajante como nós, é economista e também resolveu correr a América e redescobrir-se, pois verificou que seu trabalho “era enganar pessoas” e isso não o deixava feliz, está viajando há 3 anos e decidiu viver na Finca, ele foi o responsável a nos passar as atividades do trabalho voluntário.
Um dos objetivos de nossa viagem foi conhecer atividades auto-sustentáveis que as fincas indicam no site, como agricultura orgânica, construção sustentável, arte consciente (artesanato) e cozinha vegetariana, mas infelizmente não é essa a realidade, a fazenda é enorme, e não possuem muitas pessoas para cuidar, a quantidade de voluntários é pouca, então nos passam trabalhos ligados ao seu cotidiano, poucas vezes participamos de atividades ligada à agricultura orgânica, somente uma vez fizemos mosaico de azulejo e não houve nenhuma explicação sobre construção sustentável, na verdade, nenhuma explicação sobre nada... Como a finca estava muito suja pelo festival, ficamos uns 4 dias organizando algumas coisas, somente depois fui ajudar na cozinha e Ricardo foi para a horta, mas não é uma regra como especificado no site. Ficamos um pouco decepcionados com isso, e durante um tempo até pensamos em desistir e retornar, mas creio que o orgulho é algo que viemos nos desprender, e a humildade, algo que precisamos adquirir. As pessoas daqui, no momento, precisam do tipo de ajuda que estamos oferecendo.




Os dias na finca passam sempre muito rápido, como de manhã esta muito frio, só saímos da cabana após o sino do café da manhã, que geralmente sai por volta de 09hs, fazemos o trabalho voluntário e após o almoço realizamos atividades como pedalar e caminhar nas estradas próximas, sempre com a Cordilheira dos Andes de fundo, tocar violão (estou ficando boa nisso), aulas de yoga, trekking, ler etc. Algumas noites colocam um bom filme para assistirmos no refeitório.











Finca: 












Amigos: Leandro (Argentina), Alerrandro (Chile) e Visawrupadas (México)

Houve um festival nos dias que estivemos aqui, que fizeram 108 preparações para Krishna, foi maravilhoso, comemos muiiiito neste dia!!!


Conhecemos um voluntário chileno, que reside em uma Comuna à 22km daqui, seu nome é Gabriel, uma pessoa simplesmente nota 1000, tornou-se um grande amigo para nós, ele ficou 1 semana na finca, e durante esse período, conversamos muito, sobre várias coisas, passeamos de bike, tocamos violão, enfim, parecíamos amigos de muito tempo. Perguntei a ele se sabia como chegar ao “Parque Nacional La Campana”, pois havia pesquisado na internet sobre este parque e gostaria de conhecer, ele nos disse que morava bem perto da portaria principal, mas eram necessários dois ônibus para chegar lá e teríamos que andar 4 km até a portaria, depois nos disse que poderia vir aqui nos buscar com o carro de sua mãe e iríamos juntos, ficou super combinado, ficamos muito felizes com a ajuda e marcamos de ir na segunda-feira dia primeiro de abril.

PARQUE NACIONAL LA CAMPANA

Valor entrada para estrangeiros: 2 mil e quinhentos pesos.
Camping: 6 mil pesos por barraca de até 6 pessoas
Como chegar ao Parque Nacional La Campana: De Santiago, pegar ônibus (na estação central) para cidade de “Calera” parar na estação de “Ocoa” Lá pegar o ônibus para “Rabuco” e parar em “Hualcapo”, de lá até a portaria do Parque é uma caminhada de + ou – 4 km, pode-se pedir carona, muitos param

SOBRE O PARQUE

A unidade pertence administrativamente Hijuelas e comunas das províncias de Olmué Quillota e Marga Marga, respectivamente, da Região de Valparaíso. Foi criado em 17 de outubro de 1967. É administrado pelo Conaf, desde 1974, e foi declarado Reserva da Biosfera em 1985.  A fauna da unidade é composta por uma ampla representação de espécies chilenas e Mediterrâneo de outro migratória para aves (e gatos). Há 100 espécies de animais, agrupados em mamíferos, aves, répteis e anfíbios. Em termos de flora, o parque desenvolve um grande número de espécies de plantas "nativo" de diferentes latitudes e longitudes do Chile e da "endêmica", um total de 320 espécies de plantas.
Cerro La Campana foi visitado em agosto 1834 pelo naturalista Charles Darwin , que, ao chegar ao cume, escreveu:
Passamos o dia no topo da montanha, e nunca pareceu tão curto tempo. Chile, delimitada pela Cordilheira dos Andes eo Oceano Pacífico, está aos nossos pés como um plano vasto. É um show em si é admirável, mas sente prazer aumenta ainda mais com pensamentos inspirados de Bell vista numerosos e cadeias paralelas, bem como o amplo vale que corta Quillota de frente.

No dia combinado acordei animada para nosso passeio, tomei um banho para despertar e fomos tomar o café, muitas nuvens cobriam o céu e um vento gelado cortava a manhã. Estavam todos na aula de Gurudeva, pois o mesmo passou o final de semana na Finca, logo Gabriel chegou, levamos nosso equipamento para o carro e  partimos as 11:30h. O caminho que percorremos é curto 22km, muito bonito, podemos avistar o pico Aconcágua e rio Aconcágua da estrada. A cidade em que Gabriel vive chama-se Hijuelas e ele mora em um setor rural, uma comuna da cidade muito bem estruturada, parece um pequeno vilarejo, poucas ruas mas muito longas, as casas são muito bonitas, feitas de madeira, quase todas tem árvores frutíferas, como maças, figos e principalmente uvas, todas as casas têm parreira...
Chegamos a sua casa e ele nos apresentou a sua mãe, muito jovem, bonita e simpática, nos convidou para o almoço, como demoraria um tempo ainda, Gabriel nos levou a um passeio ao “Cerro de La Virgen” onde é possível visualizar sua comuna, saímos de bicicleta, e pedalamos uns 15 minutos, o caminho é muito bonito, sempre reto, aqui quase não tem morros, paramos e ficamos um tempo contemplando a paisagem, depois retornamos. O padastro de Gabriel e sua irmã estavam lá, muito agradáveis também, ficamos conversando sobre o Chile, o Brasil, os valores das pessoas de hoje, até que foi servido o almoço, aqui eles já colocam a comida no prato da visita, estava muito gostoso, arroz refogado com alho (que saudade) e cenoura ralada, e um bolinho de couve flor com ovo, muito gostoso, salada de alface e tomate, suco de kiwi e nectarina de sobremesa, tudo muito “rico”, conversamos ainda um tempo e Jorge, padastro de Gabriel, que nos deu seu endereço e pediu que enviássemos a ele um postal do Brasil assim que regressarmos.




Saímos para o Parque as 15:30, chegamos ao parque e caminhamos até a área de camping uns 20 minutos, estava muito quente e nos cansamos com o peso da mochila... Montamos acampamento e fomos caminhar um pouco, visitamos o mirante La Campana e alguns locais próximos, pois deveríamos voltar antes de escurecer para tomarmos banho e preparar o jantar, caminhamos cercas de 2:30h e chegamos ao acampamento às 19hs, tomei um banho frio e voltei para preparar o jantar, Gabriel e Ricardo recolheram lenha e fizemos uma fogueira em uma churrasqueira que havia por lá, cozinhei um ravióli e assamos pão com queijo, estava muito gostoso, depois ficamos conversando um pouco e fomos ver as estrelas antes de dormir. Senti-me muito feliz por estar em companhia de meu marido e um novo amigo, o clima estava muito aconchegante, Gabriel é uma pessoal muito boa, muito íntegro, me senti muito feliz por estar em outro país e ter sido tão bem recebida por um novo amigo.













          

         


A manhã estava fria, mas não como em Catemu, levantei as 7:50 e logo Gabriel acordou, fiz o café, organizamos a mochila com água e lanche e fomos caminhar, ele queria nos levar à Cascata e Mina de Quartzo, mas pedi para subir o Cerro La Campanha. Saímos as 9:30 e o sol estava reinando no céu, não havia nenhuma nuvem, fomos presenteados com um belo dia. O começo do caminho foi muito tranquilo, caminhamos da área de camping até a estrada principal por um atalho, e no caminho encontramos um belo gavião, Ricardo consegui tirar boas fotografias dele.





 Iniciamos a subida ao cerro as 10:30, as 2 primeiras horas são mais tranqüilas, tem muito espinho e poeira mas a subida é mais leve, já na última hora e meia, foi muito cansativo, a subida já era muito puxada e caminhávamos em uma trilha de areia, o que tornou ainda mais difícil, parávamos para descansar a cada 20 minutos, paradas rápidas de 5 minutos muito eficientes para recuperar o fôlego, antes de pegarmos esse caminho, havíamos descansado 20 minutos e beliscado uns biscoitos de chocolate. Chegamos ao cume as 13:40, valeu muito o esforço, estávamos muito alto, paramos para fotografar e lanchamos. Gabriel quis analisar o caminho a frente para verificar a trilha para a mina, andamos 20 minutos e achamos melhor voltar.

Cerro La Campana
















 A descida foi tão puxada para mim como a subida, meu joelho direito doía muito, tive que tomar um comprimido no caminho. Foram 2 horas de caminhada até a estrada principal, Gabriel queria nos levar à Cascata, seriam mais 1:30 de caminhada, e como já eram quase 17hs decidimos não ir, regressamos ao acampamento e chegamos quase às 18hs, estávamos exaustos, caminhamos cerca de 22 km durante 8 horas, Ricardo foi se banhar e comecei a desmontar o acampamento, depois tomei um belo banho frio, foi muito revigorante, estava pronta para outra... seguimos para a portaria do parque, que já estava fechada e saímos às 19hs, iríamos caminhar mais 4 km com as mochilas até o ponto de ônibus, e logo a frente passou um caminhão e pedimos carona, economizamos uma boa pernada, 




pegamos o micro que nos levou até a casa de Gabriel, enquanto ele se banhava, assistíamos um filme na TV, depois ele preparou um abacate para comermos com pão, delicioso, comemos tudo hehehehe, estávamos famintos!!! Depois do café, ele nos levou a casa de um casal de amigos que cultivam flores, ficamos conversando até as 23hs, pessoas muito legais e de pensamento igual ao nosso, amam a natureza e são contra as idéias capitalistas que regem o mundo atual, Ricardo disse a eles sobre nossa vontade de conhecer sobre plantas e agricultura orgânica, os dois nos convidaram a visitá-los no outro dia que nos mostrariam a estufa, ficamos muito gratos e contentes...

No outro dia Gabriel nos mostrou canções muito bonitas de grupos latinos, fiquei assustada porque não conhecíamos nada da cultura latina, uma verdadeira vergonha o Brasil ser ligado aos costumes Europeus e norte Americanos e não valorizar a cultura latina, nos mostrou um livro de Pablo Neruda e uma poetiza chilena da mesma época, Gabriela Mistral,  logo tomamos o café, e fomos conhecer o viveiro de flores. Foi muito legal, ele nos mostrou o processo de preparo da terra, onde se mistura 3 compostos, terra pura ou areia, excremento animal e terra de folhas, os 3 vão para um grande tanque para o que eles chamam de esterilização, onde uma grande caldeira com água quente leva vapor a toda a terra através de tubos, esse processo serve para eliminar os micróbios da terra, depois nos levou ao berçário das flores, onde as sementes são colocadas dentro de um recipiente minúsculo, como uma grande bandeja, são fertilizadas e levadas à uma pequena estufa totalmente coberta, por um plástico, que serve para manter umidade e uma película de algodão, para manter o calor. Quando a muda começa a se formar, é retirada deste recipiente e colocada em pequenos vasos, e levadas a estufas maiores. Depois fomos a casa dele, onde sua esposa Miriam nos ensinou como polinizar as plantas manualmente, é necessário misturar o pólen masculino no feminino e depois deste processo, as flores se fecham e secam, deste nascem às sementes cerca de 2 a 3 meses depois, um processo simples mas delicado e feito manualmente... depois ela nos apresentou todas suas plantas e nos deu um fruto de um cacto que só é encontrado no Chile e México, muito saboroso, lembra muito uva. Conversamos um pouco e nos despedimos, retornamos à finca à tempo de almoçar.


Estes dias foram muito importantes para nós, voltamos muito felizes, é justamente esse tipo de experiência que gostaríamos de passar durante nossa viagem, conhecer boas pessoas, fazer intercâmbio cultural, aprender sobre outras culturas, isso é muito enriquecedor e acalenta nossos corações, Gabriel é uma amigo que iremos ter por todo nosso tempo de vida neste planeta, foi uma experiência maravilhosa e única, e espero que possamos falar de outro grande amigo no próximo relato também.





Nosso próximo destino ainda está incerto, iremos para o Sul em 1 semana, Chilán ou Concepcion, depois Pucon???, Puerto Varas e Bariloche já está certo... Conhecemos um alemã que estava fazendo voluntário aqui e ela nos deu alguns contatos, então nosso roteiro no Chile vai “cambiar” um poquito... logo postamos sobre como será.

HARIBOL!