sábado, 31 de agosto de 2013

ROTEIRO PARA TRILHA EL CHORO SEM GUIA - COROICO/ BOLÍVIA

       O caminho El choro, é uma trilha pré´colombina localizada entre os municípios de La Paz e Coróico de aproximadamente 72 km. 
      A trilha foi construída antes do Império Inca, possivelmente pelos Tiwanaco, foi melhorada pelos Incas e depois utilizadas pelos Espanhóis.
       A maior parte da trilha é formada por um caminho feito de pedras e liga alguns pequenos povoados, a trilha inicia-se no altiplano, à 4800 m e desce até as matas fechadas e úmidas de Coróico

PRIMEIRO DIA

            Acordamos cedo, antes das 7hs, preparamos nossas mochilas para nossa primeira travessia, nosso primeiro trekking com acampamento 
            Fomos direto para o terminal assim que descemos, comprei algumas bananas, pão e bolachas, conseguimos uma vam que estava saindo e às 9hs partimos em direção à La Paz, conversamos com o condutor e pedimos a ele para parar em La Cumbre, compramos umas empanadinhas de queijo que foi nosso café da manhã e chegamos às 11:30 hs em La Cumbre, descemos e seguimos para uma casinha com teto vermelho que é “Guarda Parque” do “Parque Nacional Cotapata”,




 Lá fizemos nosso registro grátis e pegamos um mapa da trilha. No mapa tem os povoados que iríamos passar durante o percurso e o tempo aproximado de caminhada entre um ponto e outro, havia também especificações de onde comprar comida e onde montar acampamento,


MAPA CAMINHO EL CHORO

O Guarda Parque nos disse que a comunidade cobra 10 bolivianos por barraca a noite, que em Samaña teríamos que parar para fazer o registro e em Chucura teríamos que pagar 20 bolivianos para a travessia.
Tudo pronto, começamos nossa travessia, sabíamos que o início iríamos pegar uma subida complicada porque estávamos em altitude. Iniciamos o percurso sem muita demora, caminhei 5 minutos e já fiquei cansada, estava muito frio e o vento muito forte, paramos e mascamos folha de coca, havia uma linda lagoa ao lado do parque, um pouco suja, mas bonita, as montanhas estavam nevadas formando um uma bela paisagem com as outras duas lagoas que avistamos mais a frente.





 O caminho até ”Apacheta Chucura” foi muito difícil e repleto de paradas, no mapa diz que o tempo estimado de caminhada era de 1 hora, gastamos 1 hora e meia, as costas estavam doendo muito e fiquei imensamente preocupada, como seria os próximos 70 km, antes de chegar ali, tivemos dúvida do caminho, já que existem vários, optamos pelo caminho que seguia mais acima e acertamos.
 O cume possui uma visão encantadora do parque, lagoas abaixo e as montanhas nevadas, o vento era forte e muito frio, comemos um chocolate e seguimos. 





Para a subida ao pico é possível chegar de carro,mas o caminho que seguimos Dalí, somente caminhando.
A descida é em zigue zague e o caminho um pouco difícil pelas pedras, 





seguimos com bastante cuidado e chegamos no vale abaixo, onde inicia um riacho que desce do desgelo das montanhas, abasteci nossa garrafa de água que já estava quase vazia e coloquei cloro para purificar,





 Caminhamos uns 40 minutos mais, e chegamos em um belo campo cheio de Lhamas e algumas Vicuñas, havia algumas ruínas e um grande muro de pedra, o caminho abaixo já era formado por pedras e como algumas estavam soltas levei um tombo e torci de leve o tornozelo,





 continuamos caminhando e chegamos no povoado de Samaña às 15hs. Lá paramos para descansar as costas estavam doendo, afinal não estamos acostumados a caminhar com a cargueira, essa foi a primeira experiência, fizemos o registro e compramos mais chocolate.




Sabíamos que iríamos dormir por perto essa noite, pois decidimos seguir o roteiro de nosso colega mochileiro “Dalvan” que postou dicas da trilha no Blog Mochileiros, caminhamos 30 minutos mais e torci feio o tornozelo, doeu muito e não tinha mais condição de caminhar, encontramos um local onde havia água e montamos nosso acampamento ali mesmo.




 Ricardo que estava muito cansado e gostou bastante de termos parado. O local que escolhemos não era muito longe do vilarejo, e bem ao lado da trilha, dava para ver umas casinhas de onde colocamos a barraca, queríamos mais longe, mas era o local mais plano que conseguimos...
Aproveitamos para nos banhar e preparar o almoço/jantar, fiz uma miojo com legumes e pão com maionese.




Comemos e esperamos o sol se esconder entre as montanhas, logo que ele se foi fez muito frio, nos abrigamos e logo entramos na barraca para nos aquecer mais. Assim que deitamos senti uma pedra nas costas, acabei tomando um dramim para ajudar a dormir, já que também não me sentia bem pela altitude e adormecemos cedo, por volta das 19:30hs.

SEGUDO DIA

Acordamos meia noite e estava tudo claro dentro da barraca, nos assustamos e  quando fui ao banheiro vi que a lua estava cheia e iluminava todo o vale, foi uma visão incrível, já havia acampado com lua cheia, mas com a claridade que fazia ali nunca... pode ser pela altitude ou pelas montanhas nevadas que refletem a luz, só sei que estava tão claro que me atrapalhou a dormir...
Despertamos às 6horas da manhã e esperamos o dia clarear para sair da barraca, levantamos às 06:40 e fui preparar nosso café da manhã, estava muito frio, gelado... Tomamos o café da manhã observando o sol nascer...




Desmontamos o acampamento e seguimos nossa jornada. O riacho estava se transformando em um rio e nos trazia um visual deslumbrante,




A única coisa que não era bonita de se ver eram os lixo que encontrávamos a cada passo, os mochileiros que passavam por esse caminho são uns verdadeiros animais, como têm coragem de contaminar um local tão belo e que possui tanta história, a cada passo eram papéis de bala, chocolate, lata de atum, papel higiênico... enfim, todo tipo de lixo que se possa imaginar, espero que você está lendo este relato não cometa o mesmo delito quando for fazer a trilha...




A trilha continuava em um caminho largo de pedra, e sempre descendo, caminhamos até o povoado de Chucuraque é o maior das comunidades que passamos, onde fomos abordados por várias crianças pedindo doces, come não havíamos levado, as coitadinhas ficaram sem... paramos em frente à um posto, onde fica um senhor fazendo o registro e cobrando a entrada de 20 bolivianos,




Pagamos e seguimos a descida cercada de paisagens ainda mais lindas... A caminha da estava tranqüila, não tivemos pressa nenhuma, bom, eu na verdade tinha, mas Ricardo ia devagar, então tive que ceder... 




parávamos para descansar a cada 30 ou 40 minutos, descansávamos 10 minutos e seguíamos, encontramos uma cascata pequena no caminho, onde havia uma ponte e ali paramos mais tempo para comer uma banana, logo avistamos o povoado de Challapampa, havia uma ponte muito bonita e ficamos maravilhados com a beleza do local, se soubesse haveria caminhado mais para dormir ali, a descida é muito íngreme e acabei levando mais um tombo, já era o segundo do dia, mas levantei e segui...
Chegamos no povoado às 11:20 e logo as apareceram umas crianças pedindo doces, ficamos um tempo para fotos e encontrei dois gatinhos fofinhos...






Resolvemos seguir um pouco mais porque estava cedo para fazer almoço, o povoado de El Choro, onde passaríamos a noite estava à 3 horas dali, então teríamos muito tempo... seguimos a trilha que ficou muito difícil, a descida era complicada e cheia de pedras soltas e molhadas, já que haviam nascentes à cada 15/ 20 minutos... queríamos comer em um local bonito e Ricardo disse que Krishna iria nos dar um lugar muito bonito, 5 minutos depois chegamos em um mirador onde se observava o rio abaixo com uma linda cascata,




Ficamos muito contentes e descemos mais animados. Eram 12:30 quando chegamos ali e tomamos um belo banho gelado, limpou a alma e o corpo que estava bem sujinho...






 Preparei para o almoço: Macarrão com molho de tomate, queijo ralado e purê de batata em pó. Estávamos famintos, apesar de eu não querer fazer almoço, confesso que foi uma boa pedida... comemos ajeitamos as mochilas e deitamos em uma pedra para um descanso, uma hora e meia depois seguimos para El Choro,
O caminho agora havia algumas subidas e como estava muito calor, cansamos um pouco, a mata estava muito fechada e a vegetação densa, havia algumas rochas lindas no caminho todas pichadas por alguns animais de teta, Ricardo ficou muito bravo e disse que eram “Hieróglifos dos homens das cavernas do século XXI”...




Chegamos em El Choro às 16:30 depois de eu levar o último e mais doloroso “capote” da trilha, dessa vez doeu e Ricardo teve que me apoiar, ainda bem que estávamos perto...
O Vilarejo El Choro na verdade não existe habitantes, existem algumas ruínas à frente perto da ponte, um “suposto” bar que estava fechado e uma área que usam para acampamento, o local não é muito bonito, estava bastante sujo devido aos “homens da caverna do século XXI”, mas legal para montar a barraca, super reto e havia até uma estrutura pronta para uma fogueira, deixamos as coisas ali e fomos até o rio que estava em frente, para fazer uma compressa gelada nos nossos pés cansados, estava delicioso, idéia do Ricke..



Nosso corpo doía inteiro, coluna, pés, panturrilha, braços... voltamos e enquanto Ricardo montava a barraca, recolhi uma lenha para uma fogueirinha, afinal, acampamento sem fogueira não é acampamento...




 Preparei uma jantinha, creme de milho com legumes e macarrão e comemos ao lado da fogueira enquanto anoitecia... ficamos um tempo ali, mas logo o cansaço bateu, fomos para barraca descansar, depois é claro de apagar cuidadosamente a fogueira e não deixar nenhum vestígio de fogo, de dentro da barraca víamos  dezenas de vaga-lumes,  parecia uma discoteca.  Nos aconchegamos um no outro e conversamos até o sono chegar...

TERCEIRO DIA

Dormimos muuuito bem essa noite, clima gostoso, sem frio...  Sonhei com uma chuva torrencial, acho que foi o forte barulho do rio ao lado... Acordamos renovados e zerados, preparamos nosso café da manhã, o pão já estava detonado, então espetei no garfo e esquentei no fogo, ficou crocante e disfarçou bem... comemos e seguimos para o povoado de Buena Vista. 
Atravessamos a ponte El Choro e caminhamos 1 hora e meia até o povoado de Bela Vista, sempre respeitando o tempo para descanso, ainda mais que era só de subida...




 A estrutura do povoado também é muito bonita, possui somente uma casa, mas tem ducha e banheiro, uma vendinha onde compramos um chocolatinho e seguimos...




Estávamos muito felizes durante toda a travessia, o cansaço já havia ido embora e estávamos sempre rodeados de uma natureza tão maravilhosa, nos sentíamos como Joan Wilder e Jack Colton no filme “Tudo por uma Esmeralda” hehehe.




Estávamos agora do lado oposto do rio e o avistávamos de cima, muito linda a paisagem, seguimos em um caminho mais fácil passamos a ponte Jukumarini e depois o povoado San Francisco, duas horas depois, também possui somente uma casa e não havia ninguém, abastecemos de água e seguimos, queríamos chegar até a ponte Coscapa para preparar o almoço, descemos um caminho cheio de pedras bastante escorregadias, o bastão ajudou muito, uma hora depois encontramos um nativo e perguntamos se havia como se banhar no rio, ele respondeu que não que a ponte era alta e não havia como chegar no rio, como estávamos em frente uma linda cascata, paramos para fazer o almoço ali mesmo. Já eram quase 1hora da tarde, a cascata não possuía poço, mas deu uma boa ducha.




Corpo limpo, alma renovada, hora de preparar o rango, que foi o mesmo de ontem, macarrão com purê de batata, quase que ficamos sem almoço, já que fiz o favor de derrubar uma panela cheia de macarrão, a sorte que sou prevenida e levo bastante comida hehehehe.




 Barriga cheia, pé na areia, acabamos de descer até a ponte Coscapa, e descobrimos que existe sim um desvio para o rio, descemos e encontramos um verdadeiro paraíso, mas como eu queria seguir para chegar em Sandillani mais rápido, não demoramos muito ali.




Atravessamos a ponte, que não estava em bom estado,




E seguimos em uma escadaria de pedra, a escadaria era linda, mas muito cansativa, quando chegamos ao fim havia outra, e novamente outra, e por fim a quarta escadaria que foi a mais longa e interminável, eu já estava quase morrendo, a paisagem eram fantástica,






 Avistamos duas lindas cascatas caindo da montanha ao lado,





Como a subida era muito puxada... claro que paramos umas 3 vezes para descansar... Acabei caindo 4 vezes hoje,  e como sempre o último capote era o pior, dessa vez bati o joelho no chão e ficou feio, o tornozelo estava doendo muito, mas continuamos a subir lentamente, depois de 1 hora e meia subindo eu já estava estressada, não agüentava mais subida e o povoado de Sandillani não chegava nunca, dessa vez eu estava lenta e queria parar a todo momento... enfim às 16:40 da tarde chegamos em Sandillani, assim que chegamos, joguei a mochila no chão e me estirei




 Pedi uma “Caca cola” para o senhor do bar em frente e tomamos para dar uma energia, caminhei um pouco a frente e vi que havia placa de um camping, mas como não dizia a distância perguntei ao senhor Benedicto (da vendinha) se poderíamos acampar no Refúgio a frente, já que estava abandonado, ele disse que sim, que não haveria problema nenhum, já que estava fechado há 1 ano... não havia estrutura nenhuma, mas como eu não queria caminhar nem mais um metro resolvemos dormir ali mesmo, montamos acampamento e comprei uns ovos para o café da manhã e para a janta...




Sr Benedicto foi muito bacana, disse que se quiséssemos poderíamos fazer nossa comida na mesa que tem a fora de seu barzinho em um barracão, ele foi para Chairo e deixou aberta a entrada para fazermos nossa comida...




 Tudo preparado, preparei uma sopa com o resto do purê de batata e creme de milho, coloquei uns leguminhos e um ovinho para fortalecer, ficou deliciosa, comemos e logo chegou um outro mochileiro que também colocou a barraca no refúgio, Ricardo saiu para lavar a louça em uma bica que tem no caminho, eu fui ver come fechava a porta e fiquei presa dentro da “vendinha do senhor Benedicto” Ricardo teve que encontrar um buraco na cerca para eu passar kkk, conversamos um pouco com Roberto, que é italiano e já fez o percurso 3 vezes e ele nos disse que existem muitas ruínas incas perto do povoado, mas não há caminho, estão encobertas pelo mato... seguimos para nossa barraca...  apesar da subida ter sido cansativa, não estávamos tão cansados como ontem, conversamos bastante antes de nos embaraçarmos para dormir...

QUARTO-DIA

Não dormi muito bem essa noite, tive muita dor de cabeça e meu joelho doía muito, tive que levantar para tomar remédio... Despertamos antes das 06hs e ficamos na barraca esperando o dia clarear... levantamos tranqüilos e sem pressa, já que estávamos há 3 horas do destino final, a vendinha do senhor  Benedicto já estava aberta, comprei mais uns ovinhos porque estava faminta e preparei um super café da manhã, comemos muito e conversamos bastante tempo com ele, que é uma pessoa muito educada e sábia, super recomendo se abastecer em sua “tiendita”,




Acabamos descobrindo que o camping é ali mesmo, logo atrás do bar... Fomos conhecer e ficamos maravilhados com a vista que possui, o jardim também era muito bonito, e o custo para dormir ali somente 10 bolivianos... que bobeada não termos perguntado...





 Logo que saímos chegou uma turma com guia, estavam exaustos e bufando, tiraram algumas fotos e escutamos o guia falando: _ Vamos, vamos todos, temos que seguir, enfim, eles pararam 5 minutos... olhei para Ricardo e sorrimos, já que estávamos livres, descansados e aproveitados cada local o tempo que quisemos e fizemos a trilha tranqüilos, no nosso tempo e sem nos matar... papeamos um pouco mais com Roberto e Benedicto e saímos às 09hs em direção à Chairo. 
O sol estava forte e a trilha não é tão fechada como as anteriores, o calor estava maior hoje... eu coloquei uma faixa no tornozelo (o que deveria ter feito no primeiro dia), o que me deu mais segurança para descer a trilha cheia de pedras soltas, o caminho era igualmente bonito, só que mais seco, não há nenhuma nascente durante a trilha, então é melhor que abasteçam as garrafas de água antes de sair do povoado.




Descemos muito tranqüilos para meu gosto, Ricardo estava muito lento e até me irritei... 1 hora de caminhada avistamos a cidade de Coroico abaixo e 3 horas depois chegamos em Chairo...




A trilha nos leva direto a uma “vendinha” e dá um trabalhinho para sair dali...  descemos e conversamos com um motorista de vam que nos disse que não há transporte público para Coróico, que o preço do frete da Vam era de 180 bolivianos, para uma ou 15 pessoas, pensei que caro.. e ficamos um tempo sentados ali pensando na vida e descansando, 20 minutos depois desceram mais um casal com guia, o condutor disse que iria falar com eles se necessitariam de transporte e dividiríamos os custos, o que para nossa sorte deu certo, esperamos eles almoçarem e seguimos para Coróico, pagamos 60 bolivianos e chegamos às 14hs, estávamos famintos e fomos procurar em vão algo para comer, com muito custo conseguimos um omelete com batata-frita, que não estava lá essas coisas, mas em La Paz iremos desforrar...

DICAS PARA QUEM VAI FAZER A TRILHA:

·         Não há necessidade de fazer a trilha com guia, faça independente e evite estresse, o caminho é único e não há como errar.
·         A trilha geralmente é feita pelas agências em três dias e duas noites, dá tempo tranquilamente de fazer nesse período, mas é necessário começar bem cedo no primeiro dia e apertar mais o passo, com paradas mais curtas, mas sinceramente, a beleza do percurso merece de 4 a 5 dias, eu se pudesse faria em 6 dias e ficaria um dia inteiro no rio perto de El choro e outro dia inteiro no povoado de Challapampa;
·         Se forem dormir perto das montanhas na primeira noite como nós, levem um bom saco de dormir, porque à noite a temperatura pode cair até -10°, eu particularmente não indicaria dormir ali, é melhor começar mais cedo a trilha e caminhar até o povoado de “Challapampa” onde há uma boa estrutura e já não faz tanto frio, porque se vai dormir onde faz frio tem que levar boas roupas para a noite, que depois não vai usar nos outros dias de acampamento e o peso vai fazer diferença na sua coluna;
·         No caminho é possível comprar alguns alimentos, como ovos, macarrão instantâneo, sopas em pó, alguns lugares têm pão, chocolate etc. Se vc quer levar menos peso e comprar sua comida, de uma olhada no mapa e se programe.
·         Não se esqueça de levar um bastão de trekking, existem muitas descidas escorregadias e cheias de pedra;
·         Se você tiver um bom coração (o que não foi o nosso caso rs) leve um saquinho com balas para distribuir entre as crianças no caminho.
·         A Trilha é de nível fácil no geral, e têm mais decida que subida, mas alguns caminhos têm que ter cuidado com as pedras.
·         Existe nascentes e água em toda a trilha, leve pastilhas de cloro par purificar a água, nos abastecemos assim e não tivemos nenhum problema.
·         A região geralmente é úmida e chove muito de setembro à abril, então se puder se programe para fazer nos meses de seca, porque o nível de dificuldade aumenta com a chuva.
·          Não se esqueça o chapéu, protetor solar e repelente.
·         Em Chairo não há taxis nem transporte público para Coróico (somente nos sábados às 10hs, mas os nativos lotam a vam – preço 20 bolivianos), se programe para chegar no povoado antes das 12hs e a chance de encontrar outras pessoas para dividir a vam é maior
ão 
ESPERO QUE TENHAM UM EXCÊLENTE PASSEIO NA TRILHA PRÉ-COLOMBINA EL CHORO, QUALQUER DÚVIDA É SÓ PERGUNTAR


HARIBOL!!!

quinta-feira, 22 de agosto de 2013

BOLÍVIA - Sucre, La Paz e Coróico

Mais de 13 mil km percorridos, 5 meses e 11 dias fora de casa...

            Foi o suficiente para cansar, estamos cansados, exaustos e com muita saudades de casa e da família, já estamos nos tornando mais seletivos e não é qualquer lugar que nos agrada, a comida é um problema, não aguento mais comer arroz e batata frita, é muito difícil ser vegetariano em uma viagem longa como está, sonho todos os dias com a comida do Brasil, e claro a da minha mãe... já estamos programando cada detalhe de nossa volta, e Ricardo esta preparando uma listinha do que quer que eu cozinhe para ele comer, eu já deixei minha mãe avisada que quero tomar um café da manhã com muitas frutas “ricas” que têm em Goiás e com pão de queijo fresquinho retirado do forno... para o almoço quero capelete caseiro e macarrão caseiro e meu pai já tem encarregado de fazer um belo bolo de milho para a tarde HUMMMMM!!! A tia Ina também já esta encarrega de preparar um café da manhã de domingo para nós, porque como era de costume no domingo iríamos filar uma bóia na sua casa, que estava repleta de delícias...
            Viajar é muito bom, estamos aprendendo muito, mas cansa, agora temos uma certeza, nossas estadias vão ser mais curtas e nosso retorno ao Brasil mais rápido, queremos muito começar nossa nova vida do “Santuário de Harmonização Planetária” e rever nossa família.

           
BOLÍVIA



            A Bolívia é um país completamente diferente do Chile, senti um impacto muito grande quando chegamos na cidade de Uyuni... fica nítido para qualquer pessoa que visita a Bolívia, que este é o país mais pobre da América Latina.

 A sujeira é o principal, nas ruas, estradas, cidades, terrenos, pontos turísticos, enfim, em todo lugar ha lixo espalhado, e não é pouco não, é MUITO LIXO...



As cidades não são bonitas, nem estruturadas, me parecem ter crescido aleatoriamente sem planejamento urbano, e a maioria das casas não tem acabamento.

O povo Boliviano tem uma grande vantagem, a grande maioria conserva sua cultura, nas ruas, as mulheres vestidas com suas saias rodadas, cabelo longo com duas tranças e chapéu, dominam a paisagem, sempre com um pano enrolado nas costas, para carregar seus filhos e levam também bagagens...



O trânsito aqui é um caos, uma bagunça geral, praticamente não há sinalização e impossível atravessar a rua, se você coloca os pés na faixa de pedestre (as poucas que existem e apagadas), logo aparece um carro buzinando para você sair... aliás, eles buzinam para tudo aqui, à todo momento... Falam muito mal dos motoristas da Bolívia: Que bebem muito, são muito imprudente, isso não é verdade, todos que encontrei são sérios e com algumas exceções existe imprudência, no geral são bons, o problema mesmo é o trânsito...



O comércio é outra história, não existe uma predominância de grandes empresas, é muito raro encontrar um supermercado, e Mc Dolnalts aqui faliu e não existe mais...  esse lado é muito legal, nas ruas encontramos um comércio livre, constituído por pequenos grupos de famílias, onde cada barraca é responsável por vender alguma coisa, é como um grande supermercado ao ar livre, separado por sessões: Frutas, verduras, carnes (eca), grãos e cereais, pães, enlatados, roupas etc... A desvantagem é que esse comércio suja demasiadamente as ruas das cidades e a higiene, essa nem preciso comentar, ZERO!!! Para se ter uma noção, eu não vi nenhum lugar vendendo carne refrigerada, estava toda exposta às moscas e ao calor... ainda bem que não comemos cadáver!!!



Apesar dos contras, a Bolívia é um país muito bonito, onde se pode observar uma cultura forte, existem muitas opções de passeios, dos mais diversos tipos e para todos os gostos, onde é possível aproveitar bem e gastar menos (já não é assim tão barato para nós Brasileiros que estamos com a economia fraca e o real MUITO DESVALORIZADO).

UYUNI

Terminado o passeio, seguimos para a agência e descemos nossa bagagem, deixei Ricardo com as malas e fui ver ônibus para Potosi e hotel.
Achei melhor passar a noite na cidade e descansar um pouco, encontramos um hotel com banheiro privado por 100 bolivianos, mas muiiiito básico o hotel.
Nos acomodamos e ligamos o chuveiro para o banho e descobrimos que a água era fria, fui falar com o atendente e ele nos disse que funciona das 17 às 20hs, bom, ele me ocultou alguns dados quando resolvi ficar com o quarto, mas tudo bem, estamos no deserto e não vou me estressar novamente e ser injusta!!!
Saímos para cambiar dólares e encontramos o melhor preço de 6.9 bolivianos por dólar, isso faz com que a melhor opção para viajar é comprar dólares no Brasil (mesmo caro) e cambiar dólares aqui, pois a cotação do real estava 2.4 bolivianos.
 Caminhamos pela cidade que é bastante rústica, possui algumas esculturas bonitas e uma praça cheia de turistas com mochilas, que aproveitam o tempo de espera do ônibus para La Paz para descansar da travessia e “tomar um trago”.
Seguimos para comprar nossas passagens de ônibus para Potosi e escolhemos a agência Quijaro, existem várias empresas vendendo passagens, não existe um terminal e sim uma rua cheia de agências oferecendo o serviço, quase todas com o mesmo preço.
Consegui comprar pão francês e muçarela aqui e  seguimos para o hotel e como temos nosso pequeno fogareiro, aproveitei para fazer um café e comemos pão com muçarela derretida... que delícia!!!
No outro dia preparamos nossas coisas e tiramos uma foto no monumento que fica no centro da cidade, dizendo Uyuni 11ª maravilha do mundo 



seguimos para a rua em frente a agencia que sairia o ônibus, não existe terminal rodoviário em Uyuni



quando o ônibus chegou eu quase tive um troço, o maleiro era em cima e muito ruim, fazer o que estamos na Bolívia o Ricardo falou: até que está muito bom...



Seguimos nossa viagem e nos despedimos do Salar, pudemos avistá-lo do caminho e avistamos também a quantidade de lixo, dois minutos depois saímos no asfalto, uma pessoa jogou da janela do ônibus uma caixa de suco e uma sacola de lixo, eu quase Enfartei... Ricardinho precisou me consolar...
 Nossa viagem seguiu subindo uma grande montanha e quantidade de lixo foi diminuindo mas sempre presente, a paisagem era muito bonita, muitas montanhas e algumas casas construídas de pedra em alguns locais, subíamos muito e eu sentia falta de ar, aproveitei e masquei coca...
 Bom o ônibus não tinha banheiro, isso eu já sabia, mas a atendente me disse que ele parava em local que havia banheiro, e duas horas e meia de viagem eu estava estourando, pedi para o Ricardo falar com o motorista e a resposta foi negativa, eu fiquei nervosa e falei muito educadamente com ele o que a atendente me disse, ele respondeu que então pararia mais a frente onde não houvesse pessoas, em 5 minutos o ônibus parou e a comissária gritou “banheiro”, sai e um casal de franceses que estava ali também saíram “à tiro”.
Chegamos em Potosi às 14hs e paramos no terminal, a cidade era horrível e muito suja, descemos nossas malas, deixei Ricardo na rodoviária e fui procurar hotel, eu quase tive um treco quando vi o quarto do primeiro hotel, um lixo ao quadrado... subi uma rua e senti falta de ar, afinal estávamos a mais de 4 mil metros, achei um hotel melhor, mas a cidade era muito feia, voltei para rodoviária e falei com Ricardo que iria ver passagem para Sucre, ele concordou e pegamos um taxi por 40 bolivianos cada um, o ônibus era 17 e teríamos que ir para outro terminal, achei que o taxi seria mais seguro, dividimos com mais duas bolivianas. Como estava errada, o taxista correu muito, ultrapassava em curvas e quase tivemos um acidente no caminho, eu quase morri do coração e Ricardo me disse que uma certa vez teve um sonho como esse, que estávamos em um taxi fazendo manobras perigosas em uma estrada cheia de curvas no meio das montanhas J, o caminho era bastante bonito e lembrava muito Minas Gerais, era como o caminho para furnas, só que sem represa.

 Chegamos em Sucre eram 17:30, pedi para o motorista nos deixar perto de local onde há hospedagem e descemos, a cidade é muito linda, com construções incríveis, mas muito cheia de pessoas, paramos em meio a “25 de março Boliviana” Ricardo ficou com as malas e eu fui procurar um local para ficar, encontramos um bom hotel por 170 bolivianos, com banheiro privado, Tv a cabo, internet e café da manhã.

Sucre, possui uma população de 230.000 habitantes, é a capital constitucional da Bolívia, sede da Suprema Corte de Justiça (Corte Suprema de Justicia), e capital do departamento de Chuquisaca. Localizada na parte sul-central do país. Sucre tornou-se Patrimônio da Humanidade, segundo a UNESCO e atrai milhares de turistas todos os anos, principalmente Europeus, em especial Franceses graças ao seu centro histórico bem conservado, com construções dos séculos XVIII e XIX.










Conhecemos o “Castillo de La Glorieta”  tomamos um ônibus que nos deixou em frente ao Castelo, entramos e fizemos um tour de 2 horas, adoramos o passeio, parecia que estávamos no século 19, adoramos...





À noite encontramos um restaurante super bonito que serve hambúrguer vegetariano com batatas fritas em um ambiente super lindo... nos esbaldamos, fazia muito tempo que não comíamos um hambúrguer!!!



No domingo acordamos cedo para o passeio de Tarabuco. Chegamos no ponto combinado e entramos na fila do ônibus, subimos e estava cheio de turistas europeus, quase todos franceses... é incrível a quantidade de franceses que visitam a Bolívia...  Seguimos para o povoado de Tarabuco,  nos disseram que teria uma grande feira de artesanato hoje, que o povo que vive ali conserva todos os costumes antigos e que vivem assim, estávamos ansiosos para conhecer uma “aldeia de indígenas bolivianos”.
Foram quase 2 horas de viagem, descemos em Tarabuco e uma moça entrou no ônibus para nos dar as orientações, falou tudo em inglês e depois tivemos que esperar para receber as orientações em Espanhol, falaram que os habitantes dali só poderiam falar em Quéchua e nos ensinaram algumas palavras, deram um mapa e nos disseram que serviriam o almoço às 12:30 e às 13:30 seguiríamos para Sucre, seguimos o mapa até a praça principal super ansiosos e animados, no caminho encontramos uma grande feira de variedades, cheia de comidas, roupas comuns, carne, muita carne, animais mortos, cabeça inteira de vaca ecá!!!



 Fui ficando decepcionada e quando chegamos na praça vimos que havia mais coisas de artesanato típico, mas a cultura que esperávamos encontrar ali, onde estava??? O Capitalismo devorou a cultura!!! E eles falavam Quéchua??? Claro que não, falavam muito bem o espanhol e sabem negociar muito bem sua mercadoria... uma dica para quem quer comprar artesanato, compre em Tarabu, os preços são melhores que o centro de La Paz, e os comerciantes negociam bastante...
            Estivemos no feriado de 06 de agosto, onde comemoram a independência da Bolívia, a festa foi muito grande e começou um dia antes, Sucre contou com a visita ilustre do presidente Evo Morales...


Resolvemos visitar “As 7 cascatas” no dia do feriado, as ruas estavam cheias de pessoas para o desfile, muitas ruas estavam fechadas e tivermos que sair perguntando onde tomar o ônibus linha Q, que aqui se pronuncia “cú”, foi muito engraçado, parei um policial e perguntei: “Onde posso tomar a linha cú hoje” kkkkkkk.
Chegamos nas 7 cascatas e descobrimos que é um poçinho, mas como já estávamos lá, descemos e curtimos um pouco o visu...




            Aproveitamos bem a cidade de Sucre, fomos ao cinema (assistimos ao segundo filme do Wolverine que foi uma decepção total), comemos pizza boa (porque a do Chile é uma .....), passeamos bastante na praça, encontramos bons restaurantes vegetarianos, enfim, valeu muito a pena os dias que estivemos ali...

            A viagem para La Paz foi tranqüila, recebemos uma recomendação de uma “gringa” que conhecemos no terminal rodoviário e escolhemos a empresa “Trans Copacabana”. O ônibus era Show de bola, valeu a pena pagar mais caro, a única coisa ruim é que queria usar o banheiro estava trancado, me disseram que abririam na estrada... Estava super quente e eu com uma calça térmica por baixo... quase duas horas depois de sairmos, desci para ir ao banheiro e ainda estava trancado, ai me estressei e bati na cabine do motorista, saiu um garoto que me disse que logo abriria o banheiro, fiquei uma onça, disse que estava precisando naquele momento, ele fechou a cara e pegou a chave para abrir... O ônibus das empresa Bolivar  também era muito bom.

Chegamos em La Paz e tomamos um taxi direto para o Hotel (dessa vez já havia reservado pela internet), tomamos um belo café da manhã e fomos bater perna no centro da cidade, especular as agências de turismo e verificar os preços dos artesanatos., estávamos crentes que La Paz seria mais barato, mas no centro da cidade algumas coisas estavam mais caras que Sucre e muitas coisas o mesmo preço
Caminhando pela cidade encontramos o centro cultural Vrinda, entramos e resolvemos almoçar, fomos recebidos por Padma, uma devota super gente boa que nos recebeu muito bem, falamos que éramos de Brasil e de uma finca, ela nos serviu o almoço e conversamos um pouco, ficamos de voltar outro dia para participar de um Kirtan.
À noite no hotel, havia ume outro atendente recepcionista, super gente fina e me deu muitas dicas, acabei fechando o passeio para Chacaltaya e Tiwanaco no hotel mesmo, já que os preços são iguais em todas as agências, sai mais barato somente se você fecha muitos ao mesmo tempo.



Tiwanaku (também grafado Tiahuanaco, Tiahuanacu e Tihunaco) é um importante sítio arqueológico pré-colombiano. Estudiosos das culturas andinas classificam esta civilização como os mais importantes precursores do império Inca, florescendo como a capital administrativa e ritualística de um grande poder regional por mais de cinco séculos.
As ruínas da cidade estado ancestral se localizam próximo à margem sudeste do lago Titicaca, no departamento La Paz, município Tiwanaku, cerca de 72 km oeste de La Paz.
A cidade cobriu uma extensão máxima de seis quilômetros quadrados e teve no apogeu estimados quarenta mil habitantes. Seu estilo de cerâmica sem igual é encontrado numa vasta área que cobre a moderna Bolívia, Peru, o norte do Chile e a Argentina. No entanto, é difícil dizer se a presença desta cerâmica atesta o poder político desta civilização sobre esta área ou somente atesta sua influência cultural/comercial.
É considerada também uma cultura precursora das grandes construções megalíticas da América do Sul, cortando, entalhando ou esculpindo pedras pesando até cem toneladas, encaixando-as umas às outras com uma precisão e engenhosidade raramente encontradas mesmo na posterior arquitetura inca
Alguns especulam que o nome moderno "Tiwanaku" é relacionado ao termo Aymara taypiqala, que significa "pedra no meio", em alusão a crença de que ficaria no centro do mundo. Entretanto, o nome pelo qual Tiwanaku era conhecida pelos seus habitantes se perdeu, uma vez que esse povo não deixou linguagem escrita.



No dia seguinte, esperamos na recepção do hotel o ônibus da agência nos pegar, às 09hs chegaram.
O trânsito estava um caos, um verdadeiro horror, buzina em todas as partes, carros misturados com motos, ônibus, vans e caminhões, pedestres no meio da rua tentando atravessar...
Seguimos mais ou menos 40 minutos de trânsito caótico e em um mar de sujeira... Depois a tensão melhorou e começaram a aparecer vilazinhas bem simpáticas no caminho. Chegamos em Tiwanaku quase 11hs da manhã, descemos no museu de Pedra, logo uns nativos nos abordaram vendendo estatuetas e réplicas, e me ofereceram um monólito por 1 boliviano, comprei na hora, dois e uma Lhama por 5 bolivianos, confesso que depois fiquei até com remorso de tão barato que paguei no trabalho dessas pessoas...



 Uma parte do museu estava em reforma e pudemos ver somente um monólito gigante que se encontrava em sala escura, ali escutamos algumas explicações e seguimos ao museu de cerâmica, onde estava repleto de peças encontradas em escavações, como vasos, peças de metal, de carpintaria, havia até uma múmia e um crânio alongado através de uma cirurgia que retiram uma parte da calota craniana, muito interessante, tivemos um apagão uns 5 minutos nesse tour, mas logo retornou...



Seguimos direto para as ruínas, o primeiro local que visitamos foi um templo onde vimos o cemitério, ouvimos algumas explicações e seguimos para o portal do sol, e dois monólitos que estavam ali...




 Subimos as ruínas da pirâmide e descemos para o templo subterrâneo que tem a melhor vista do sítio arqueológico. Todo o percorrido durou menos de 40 minutos, o guia foi super rápido, caminhava rápido e quase não tinha ar para acompanhá-lo, quando chegávamos no local em que ele iniciava a explicação, ele já havia começado, mesmo faltando 6 ou 7 pessoas do grupo... Fiquei meio irritada com isso mas não falei nada, não havia tempo nem para tirar fotos.



Depois do templo subterrâneo, ele chamou a todos para ir ao restaurante almoçar, preferimos ficar nas ruínas e aproveitar o tempo ali.



Sentamos para comer em frente ao portal principal, foi maravilhoso, pudemos sentir a energia do local e não havia nenhum turista... As fotos ficaram perfeitas!!!



Caminhamos com calma pelas ruínas e voltamos para o local onde vendem artesanato, o preço estava bem melhor que na cidade, então já compramos bastantes coisas, novamente abaixaram o preço bastante e ficamos com remorso, porque em todas as tendas que passávamos as mulheres nos chamavam, venham compre de mim... Compramos um pouco em cada tenda.
Logo que saímos dali, seguimos para outra parte do sítio arqueológico  ali se encontrava outra pirâmide que foi destruída por uma inundação do lago Titicaca, que segundo os arqueólogos teria suas margens muito próximas daquela região. Terminado o passeio fizemos o caminho de volta à La Paz, com o trânsito ainda mais caótico que pela manhã...
Paramos em um mirador para fotos da cidade e descemos no centro

            No dia seguinte seguimos para Chacaltaya que é um pico da Cordilheira dos Andes de 5 421 m de altitude. Está a cerca de 30 km da cidade de La Paz e muito próximo a Huayna Potosí. O acesso à estação é por uma estrada estreita e bem íngreme.  Nesse pico está a estação de esqui de maior altitude no mundo, a 5 395 m em relação ao nível do mar.Atualmente, esta estação está desativada devido às mudanças climáticas.
Levantamos para tomar café e nos preparamos para nosso passeio, às 08:45 chegou Érica, a guia que iria nos guiar pela montanha, pegamos mais um grupo na agência que eram de brasileiros, um deles sentou do meu lado, Rafael, muito gente boa...
Paramos em uma “vendinha” para comprarem lanche, pois hoje não teríamos almoço hoje, aproveitei e comprei o comprimido para altitude também, tomamos em seguida...
Seguimos na mesma rua e começamos a subir, foi quando Érica nos disse que seguiríamos em um caminho difícil, mas que o motorista era muito bom e tinha muito tempo de experiência naquele caminho... Quando ela disse isso, olhei para o lado e já estávamos altos e a estrada era suficiente para apenas um carro e nem uma bicicleta a mais, eu já comecei a entrar em desespero... Logo o caminho melhorou, seguimos somente uns 10 minutos paralelos à ribanceira, entramos em uma estrada dentro da montanha e paramos para fazer fotos em um mirador onde visualizamos as montanhas Chacaltaya, Hwana Potosi e outra que não me recordo o nome J,
Seguimos em frente e o precipício voltou a fazer parte de nossa rota, só que agora muito mais alto e a estrada bem mais curta... não preciso nem dizer que tive um “Piriri” minhas mãos começaram a suar e o medo tomou conta de mim, Rafael que estava ao meu lado e também não gosta de altura me ajudou a me distrair um pouco... começamos a conversar e ele que estava ao lado do buraco, virou a cabeça para não ver... chegou um ponto que a conversa já não estava mais surtindo efeito e a cantar o Mahamantra, fechei os olhos e dá-lhe “Hari Krishna”...



Chegamos inteiros na mais alta estação de esqui do mundo, que atualmente está desativada devido ao efeito estufa, que provocou uma queda considerável nas nevascas da região. Descemos da van e Érica recolheu o dinheiro da entrada, 15 bolivianos, seguimos ao banheiro (se é que se pode chamar de banheiro) mais sujo que vi em toda viagem, e antes de começar a subir ela nos deu algumas explicações, disse que estávamos ali para desfrutar e não sofrer, que devido à altitude, poderíamos nos sentir mal e iríamos nos cansar muito facilmente  já que estávamos 5300 metros de altitude e iríamos alcançar 5421 no topo da montanha.
Começamos a subir o trajeto que duraria de 40 minutos a 1 hora, o percurso é curto mais ou menos 700 m ...  eu claro corri na frente, Ricardo ficou logo atrás, haviam dois rapazes que depois dispararam na frente, pareciam que estavam fazendo maratona, seguiram pelo caminho errado e ainda tive que dizer que estavam errados e voltaram... os primeiros 50 metros foram os mais difíceis, a subida é mais inclinada e comecei a sentir o cansaço, mas como estava bem lenta deu para tirar de letra, coloquei mais umas folhinhas de coca na boca e tudo bem...
Depois de uns 15 minutos e olhei para trás e vi que Ricardo estava muito distante, percebi que estava rápida e parei, ele estava um pouco cansando e sentia frio e falta de ar, mas descansou um pouco e melhorou...
 A chegada no topo da montanha foi incrível, ter uma visão em 360° naquela altitude é indescritível, todos sentiam frio e eu sentia calor, todos tinham luvas e as mãos congeladas e eu sem luvas e com as mãos quentes... a adrenalina foi muita, a emoção de chegar ao cume de uma montanha foi demais, e detalhe sem esforço (já que subimos de van), a caminhadinha que fizemos foi “fichinha”.






Ficamos um tempo ali dividindo o pouco espaço que tinha com “milhares” de turistas e tiramos muitas fotos legais, depois seguimos a outro mirador um pouco mais baixo que esse, que nos deu a visão de uma lagoa incrivelmente linda...



 bom, dali visualizamos muitas lagoas e de diversas cores diferentes, uma mais linda que a outra, havia duas vermelhas como a lagoa colorada em Uyuni...



O nosso grupo foi um espetáculo a parte, todos muitos animados (claro que os brasileiros dominaram e foram os mais divertidos J), muito diferente do grupo de Tiwanaco que nem conversam... Rafael fazia piadinhas o tempo todo e nós quase morríamos de rir...
Chegamos na van às 12:30 e partimos para a descida do penhasco... eu, claro, estava morrendo de medo, mas confesso que a adrenalina estava a mil, então amenizou um pouco os “nervos”. 
Descemos conversando e rindo, Rafael nos contou muitas coisas sofre as manifestações que estão acontecendo no Brasil e falamos bastante sobre política e sustentabilidade, “papo nota 10”, enquanto conversávamos pensei: “Essa pista deveria ter um controle de subida e descida, pois é impossível passar dois carros”, bom, já estava me sentindo mais seguira, já que o motorista realmente mandava muito bem, mas de repente nos deparamos com uma retro escavadeira, todos fixaram os olhos e com certeza pensaram “E agora??”
O motorista começou a dar ré e eu já queria sair da vam hehehe, até que encontrou um espaço maior e manobrou a van, deixando-a na última pedrinha da pista e deu passagem para a retro-escavadeira...
Todos vivos, seguimos nosso caminho em direção ao Valle de La Luna, para chegar lá, entramos na zona sul de La Paz, que é bem mais limpinha e bonitinha que o restante da cidade, chegamos na entrada do parque e pagamos nosso boleto, eu estava esperando um local bem “simplão” porque ouvi muitos relatos que não valia a pena entrar no Valle, mas me surpreendi, a o local é muito bacana e muito lindo... claro que quem acaba de chegar de um lugar como “Chacaltaya” se for comparar perde feio...



Fizemos uma caminhada de 40 minutos em uma trilha dentro das formações rochosas, e foi uma sensação muito legal, parecia que estávamos realmente em outro planeta... o parque é grande e há outros setores e trilhas a percorrer, mas como estávamos com guia, tivemos que voltar...






Despedimos-nos do grupo na parada final, e claro troquei contato com Rafael, espero ainda “fofocar” bastante com ele no futuro, pq o cara é “muy buena onda”.



O dia seguinte foi para bater perna em La Paz e fazer umas comprinhas, e no outro seguimos para Coroico onde passamos uma semana na Finca Hare Krishna.



No dia de nossa viagem à Coroico, ao fazer o check-out, pedimos um taxi e fomos informados que esta acontecendo uma manifestação perto da rodoviária onde há ônibus que saem para Coróico e que teríamos que caminhar umas 4 quadras até o terminal... desistimos do taxi e deixamos nossa bagagem hotel, ficamos um pouco na recepção vendo internet e depois saímos para almoçar, três horas depois, chegamos no hotel e pedimos o taxi, logo o taxi chegou e seguimos ao terminal, o motorista é bem bacana e conversamos muito com ele, quando estávamos chegando perto do terminal o bloqueio não nos deixou passar, descemos nossas mochilas e vi a pequena subida que nos esperava, quase morri do coração, colocamos nossas mochilas nas costas e seguimos... 2 minutos depois apareceu um taxi que estava dentro da rua fechada, ele nos levou até o terminal.
Ao chegarmos no terminal tivemos uma outra surpresa: as vans não estavam indo para Coróico, o terminal estava interditado pelos manifestantes de “La Cumbre” que reivindicavam água potável para sua comunidade...



Quase tive um infarto, mas deixamos nossas malas ali e ficamos esperando a negociação, o terminal estava lotado, pessoas por todo lado, no chão, malas, um verdadeiro caos, estava o maior calor.



 Eu sai e comecei a ver o que se passava, se havia alguém que conseguiu comprar bilhete, caminhei e encontrei um quartel da Polícia, perguntei ao guarda que estava do lado de fora e ele me disse que achava que logo iria se regularizar porque uma comissão havia entrado para falar com o ministro, continuei caminhando e ao lado do terminal havia uma concentração maior de pessoas, e  a polícia estava dentro de uma quadra cercada e os manifestantes do lado de fora, foi a primeira vez que vi policiais perto dos manifestantes, pois aqui não há represaria como no Brasil, e os manifestos me pareceram que foram respeitados pelas autoridades, ninguém ousava furar o bloqueio...
 Voltei para onde Ricardo estava e entrei em uma casinha que vende passagem para Coróico, logo que entrei várias pessoas entram e disseram que os bloqueios haviam terminado, tentei comprar uma passagem, mas acabei descobrindo que ali não estava vendendo para Coróico, sai e Ricardo me disse que uma mulher de preto havia acabado de anunciar passagens para Coróico, fui correndo e haviam 3 lugares e ela estava negociando o troco com um rapaz, entreguei o dinheiro trocado para ela e consegui comprar as passagens, logo já levamos nossas mochilas para colocar no bagageiro superior da van, e entramos para esperar sair.
 Saímos às 15:40, duas horas e meia depois de chegar no terminal, tivemos muita sorte porque haviam pessoas que estavam esperando desde cedo... subimos uma rua ainda em La Paz e logo saímos no asfalto, ao lado avistamos uma represa que produziu uma paisagem muito bonita com as montanhas ao fundo... seguimos subindo e foram aparecendo pequenos braços da represa, logo apareceu um pouco de gelo na pista e nas montanhas ao lado, estávamos a mais de 4300 metros de altitude quando começamos uma descida (que só terminou em Coróico), reconheci dos vídeos que vi na internet como o início da descida de bike, a natureza em volta era incrível, montanhas nevadas e precipícios, mais ou menos 30 minutos depois passamos por um pequeno povoado na estrada e vimos a entrada da estrada da morte, a paisagem agora estava cheia de montanhas verdes, cobertas de vegetação. Continuamos a descer, e descer, e descer mais um pouco, a descida era interminável, parecia que estávamos descendo a serra do mar, a vegetação era super parecida... avistamos a estrada da morte do lado direito da pista e confesso que a danada realmente é bem assustadora...
Chegamos em Coroico já escurecendo e negociamos um taxi para a Finca, chegando lá fomos recebidos por Raga, Kumari e sua filhinha Radha, um casal super simpático que nos recebeu muito bem, nos acomodamos e capotamos...



A energia que emana a cidade de Coróico é incrível, parecia que estávamos sendo abastecidos pela diretamente pela mãe terra, aqui pudemos reviver um pouquinho do Brasil, já que a mata é muito similar à mata Atlântica... Pela manhã voltamos à escutar o barulho dos pássaros cantando, sentir o cheiro de terra úmida e o olor da mata...







            Estar com Kumari e Raga foi uma experiência à parte, eles têm uma bela família, e uma linda garotinha chamada Giride 1 ano e meio, aprendemos um pouco com eles sobre como educar uma criança para conviver com os princípios do Vaisnava e respeitar os animais. Havia também na finca um casal de mochileiros muito simpáticos, que estavam viajando com o filho, fez o clima ficar ainda mais gostoso...




            Meu violão finalmente ganhou cordas novas (muito difícil encontrar), depois de quase 2 meses sem tocar, tivemos nosso momento espiritual e louvamos muito à Krishna. Aprendemos muito da filosofia com Raga também...
            Aproveitamos para visitar a pequena cidade de Coroico e a Cascata San Felix




            A semana passou muito rápido e logo era hora de partir para nossa nova aventura, agora mais radical e  cansativa, iremos seguir a Trilha Inca “El Choro” de 4 dias e 3 noites, percorreremos 72km iniciando à 4800 metros de altura, passando pelo altiplano e terminando na “mata Atlântica” Boliviana, em breve postaremos o relato completo e dicas de como fazer a trilha sem guia, já que faremos sozinhos!!!


HARIBOL!!!